28/07/2026

Fintechs na América Latina: Era da Rentabilidade e Maturidade

O ecossistema de fintechs da América Latina deixou para trás a era da disrupção e entrou em uma nova fase, marcada pela maturidade e pela busca por rentabilidade. Após um crescimento histórico que elevou a inclusão bancária de 54% em 2017 para 73% em 2021, o setor agora enfrenta o desafio da sustentabilidade. Com o fim da era do capital barato, os investimentos em fintechs em estágio mais avançado cresceram 176% em 2025, mas com um critério muito mais rigoroso: a prioridade passa a ser empresas que já demonstram capacidade de gerar lucro — a chamada “Série P”, de Profitability (Rentabilidade).

A ideia de que as fintechs substituiriam os bancos tradicionais perdeu força diante do modelo de Trust as a Service (TaaS). Os usuários latino-americanos já não buscam apenas um cartão digital, mas um verdadeiro copiloto financeiro, capaz de oferecer recomendações proativas. Hoje, mais de 60% dos consumidores estão abertos ao uso de assistentes baseados em inteligência artificial, embora 85% ainda considerem indispensável o contato humano para resolver questões críticas relacionadas à segurança.

“Em 2026, o sucesso financeiro vai muito além de ter o melhor aplicativo, mas será alcançado por quem conquistar o mais alto nível de credibilidade e autoridade. Nesse aspecto, até os grandes modelos de linguagem (LLMs) mostram isso com clareza. Na era da rentabilidade, conquistar a confiança dos usuários por meio de transparência e utilidade real é a única vantagem competitiva realmente defensável”, afirma Roger Darashah, sócio e cofundador da LatAm Intersect.

Nesse cenário, a tecnologia deixou de ser uma barreira competitiva graças à democratização do Open Finance. As empresas que vão liderar o mercado na reta final do ano serão aquelas capazes de transformar inovação em uma infraestrutura baseada em princípios éticos, priorizando transparência algorítmica e segurança digital em uma região onde os ataques cibernéticos são 40% mais frequentes do que a média global.

"Vemos que as empresas que investem em segurança, transparência operacional e utilidade real no dia a dia dos usuários estão construindo relações de fidelidade muito mais sólidas do que aquelas que ainda focam em métricas de vaidade, como curtidas e engajamento no LinkedIn",,, complementa Darashah.

O Brasil lidera o processo de amadurecimento das fintechs na região, mas a saturação ainda é um obstáculo a ser superado. O consumidor brasileiro possui, em média, seis contas bancárias diferentes, o que gera fadiga digital e faz com que muitos aplicativos acabem abandonados pelos usuários. Nesse cenário, a aquisição de clientes já não tem a mesma importância que a retenção e a relevância da empresa no dia a dia do usuário.

Com o Pix consolidado como infraestrutura básica do sistema financeiro, a diferenciação tecnológica tornou-se cada vez mais difícil. Ainda segundo o estudo "Fintechs na América Latina: construindo narrativas para a era pós-disrupção", 66% dos brasileiros esperam que suas instituições financeiras vão além das carteiras digitais e passem a atuar como consultoras, recomendando novas possibilidades de investimentos. A expectativa é que o mercado invista mais em serviços personalizados, capazes de transformar clientes em promotores da marca.

Fonte: Estudo "Fintechs na América Latina: construindo narrativas para a era pós-disrupção"

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